Artigo de análise - Tipografia
A língua grega trouxe à civilização humana várias palavras que permanecem imutáveis até ao dia de hoje. Tipografia é uma delas. Significando, literalmente, "forma da escrita", tem como objectivo principal dar ordem estrutural e forma à comunicação impressa. Numa definição de Stanley Morisson, em Princípios Fundamentais da Tipografia, de 1936, "A tipografia pode ser definida como o ofício de dispor correctamente o material a imprimir para atingir um objectivo específico – o de colocar as letras, distribuir os espaços e controlar os tipos, de forma a oferecer ao leitor a máxima ajuda na compreensão do texto. A tipografia é o meio eficaz para conseguir um fim essencialmente utilitário e só acidentalmente um deleite estético, já que o gozo visual das formas raramente é a aspiração principal do leitor. Assim, é incorrecta qualquer disposição de material
de imprensa que, seja por que razão for, produza o efeito de se interpor entre o autor e o leitor."
Porém, falar de tipografia sem falar de caligrafia (outra palavra grega) torna-se difícil. Proveniente do grego cali, que traduzido quer dizer formoso e belo de contemplar, e de grafía, que significa escritura manual, Ricardo Rousselot, no seu artigo "La caligrafía o el texto dibujado", define caligrafia como a arte de escrever com beleza e graça.
Tendo em conta que nos seus trabalhos emprega exactamente os atributos dessa definição, Rousselot dá uma grande importância aos efeitos que a forma de uma letra pode ter numa pessoa. Ele próprio já confessou numa entrevista que deu: "Emociono-me quando vejo uma Bodoni".
Segundo este "profissional da caligrafia", nos dias de hoje não chega que se desenhem as letras de forma minuciosa e perfeita, mas também têm que ser criativas, sendo esse o principal propósito da tipografia. Daqui concluímos que tipografia e caligrafia não se podem dissociar.
Certamente que os artistas caligráficos da antiguidade eram mais perfeitos naquilo que faziam, pois somente trabalhavam para embelezar as letras. Não estavam adstritos a mais nenhum compromisso. O seu enfoque estava na prossecução desse objectivo. Actualmente, existe a necessidade de aplicar esse trabalho a diversos contextos, associando-o à tipografia: publicidade, marcas comerciais, campanhas ideológicas, documentos escritos, etc..
A tipografia ganhou uma importância suplementar, pelo seu carácter sugestivo. A forma que proporciona às palavras, demonstra por si só o sentido intrínseco das palavras. Quase se pode dizer que não se precisa de escrever para dar a perceber. A tipografia é, assim, um pilar essencial da comunicação. Nos dias de hoje, existe uma intenção de comunicação em todo o lado: jornais, revistas, cartazes, cartas, anúncios, catálogos, rótulos e etiquetas, bilhetes, horários, tabuletas, embalagens, etc..
Sem a tipografia, diversas informações demorariam a ser apreendidas, ou então não chegariam mesmo a ser descodificadas.
Mas de que forma é que as pessoas que lidam com a tipografia, a conhecem?
Indra Kupferschmid, tipógrafa alemã, diz que "existem apenas três métodos de fazer letras: escrevê-las, desenhá-las ou produzi-las tipograficamente".
O poeta e tipógrafo Roger Bringhurst deixou também o seu ponto de vista, dizendo que as letras têm sonoridade, timbre e personalidade, assim como as palavras e as frases.
Otl Aicher, falecido designer gráfico alemão, deixou uma definição soberba: «tipografia não é mais do que a arte de descobrir, em cada caso concreto, aquilo de que a nossa vista
gosta e de apresentar as informações de modo tão apetitoso que a vista não lhes possa resisitir.»
Por tudo isto, a tipografia pode ser considerada o vestido da palavra escrita.




















