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November 2007 Archives

November 3, 2007

Toque

Conhecemos centenas de pessoas ao longo do nosso caminho, milhares de “olás” e beijos mecânicos que fluem tão facilmente como o respirar, mas quantas dessas pessoas realmente ficam na memória? Quantas realmente conseguem ganhar esse espaço, esse nicho nos recantos da mente? Quantas conseguem abrir as portas dos sonhos e instalarem-se nas nossas cabeças para lá ficarem para sempre? Quantas me conseguem tocar assim? Quantas conseguem sem tocar, tocar-me no coração?
Pego na guitarra e toco, toco no terraço, sinto o vento no corpo a embalar a música e a levá-la para longe, lá bem para cima, para perto das estrelas e da lua, para que eu possa tocá-las e senti-las em mim e, assim, reparo como o toque nos aproxima: como as memórias são cicatrizes em nós que, muitas vezes preferimos não curar – seja afecto, dor, sofrimento, alegria - queremos guardá-las e misturá-las com o frio que sentimos numa noite de Janeiro, ou com o calor de um solarengo Julho.
À medida que este turbilhão de ideias percorre os recônditos e sombrios cantos da minha cabeça, lembro-me também de como a falta de toque, ou melhor, a falta de tacto, nos pode deixar como um pássaro que partiu a asa e não se pode juntar aos seus; como uma planta sem a luz do sol, fonte de vida. De seguida, sou assaltado por imagens de crianças a gatinhar e apercebo-me da sua necessidade permanente de tocar em tudo o que os rodeia, seja para chamar a atenção, para fazer algum pedido, para protestar e…para reconhecer o seu mundo. O toque não passa de uma percepção mais concreta do que nos engloba. O toque é a absorção da realidade através da pele, é a osmose do universo que nos envolve, é a integração e aceitação da nossa existência “em” e “com”.
Vai na volta de tanto toque que nos toca e de tão tocados por quem gostaríamos de tocar, que só espero que o próximo toque seja o do telefone, com uma chamada daquela que tem o tacto que quero sentir na minha pele e o toque que quero sentir na minha alma.

November 7, 2007

eles atacam novamente...com ajuda desta vez...

November 12, 2007

Aletria...que mais?!

November 27, 2007

Aromas de Vida

Já se imaginaram num campo cheio de frésias, lírios, alostromérias, tulipas, orquídeas, girassóis, helicôneas, gerberas, margaridas… já imaginaram os azuis, os rosas, os lilases, os verdes, os amarelos, os roxos e todas as outras cores que estão pelo meio, já imaginaram tudo isso? Visualizem…e ceguem! Conseguiram? Não, não é isso…não é só fechar os olhos; é cerrá-los com toda força que tiverem para não entrar um suspiro de luz que seja, não a deixem respirar sobre vós. Agora não cedam à tentação de andar devagar pé ante pé, ou até de gatinhar à procura do caminho menos acidentado, simplesmente deixem-se ser! Nem um passo para a esquerda, nem para a direita, nem para a frente, nem para trás: deixem-se estar ai e inspirem o mais fundo que puderem, encham os pulmões de ar e sustenham-no. Aproveitem!
Agora sentem-se, recolham uma flor e tentem identificá-la pelo seu cheiro, conseguem? Passem à seguinte e façam o mesmo…alguma diferença? O mais provável é que, apesar de notarem os diferentes aromas, não consigam associá-los a nenhuma flor em particular; isto acontece porque nunca o precisaram de fazer, porque têm sempre os olhos para ver se a flor é roxa ou vermelha, se é lisa ou côncava, se é arredondada ou bicuda, se é uma rosa ou uma margarida.
Se treinássemos mais este sentido que é tantas vezes menosprezado, será que a nossa percepção da realidade se alteraria drasticamente? Será que fugiríamos de muitos mais lugares por onde costumamos passar, será que nos cheirava muito mais vezes a esturro, será que cheiraríamos o medo à distância, será que cheirávamos a chuva quando esta ainda não anda por perto, tendo assim tempo para não sair de casa, ou para ir buscar o guarda-chuva, que tanta falta nos iria fazer? Já tentaram associar certos cheiros a pessoas que vos são próximas? Muito provavelmente as pessoas por quem nutrem um carinho mais especial cheiram a chocolate ou a baunilha, algum cheiro doce e agradável; enquanto que o vosso patrão, ou aquele tipo que não pára de vos chatear durante a viagem de autocarro para o trabalho cheira a bolas de naftalina, ou a toranja.
Nunca se esqueçam… absorvam, suguem, inspirem e expirem…o sumo da vida está no ar e é tão fácil de ser saboreado!

Drive- Incubus

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